{"id":6165,"date":"2023-10-23T10:02:06","date_gmt":"2023-10-23T10:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crup.pt\/?p=6165"},"modified":"2023-10-23T10:02:06","modified_gmt":"2023-10-23T10:02:06","slug":"opiniao-portugal-e-as-aliancas-europeias-de-universidades-rui-vieira-de-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crup.pt\/en\/opiniao-portugal-e-as-aliancas-europeias-de-universidades-rui-vieira-de-castro\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o | Portugal e as Alian\u00e7as Europeias de Universidades | Rui Vieira de Castro"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20px&#8221;]<style type=\"text\/css\" data-type=\"the7_shortcodes-inline-css\">#default-btn-0ae904e39945b921bab704bda8f68fad.ico-right-side > i {\n  margin-right: 0px;\n  margin-left: 8px;\n}\n#default-btn-0ae904e39945b921bab704bda8f68fad > i {\n  margin-right: 8px;\n}\n<\/style><a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/opiniao\/portugal-e-as-aliancas-europeias-de-universidades-17107492.html\" class=\"default-btn-shortcode dt-btn dt-btn-s link-hover-off btn-inline-left \" target=\"_blank\" id=\"default-btn-0ae904e39945b921bab704bda8f68fad\" title=\"ver not\u00edcia\" rel=\"noopener\"><span>ver mais<\/span><\/a>[vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1698055186216{padding-bottom: 50px !important;}&#8221;]Decorreu recentemente, em Barcelona, o<em>\u00a0II F\u00f3rum das Alian\u00e7as Europeias de Universidades<\/em>, promovido pela Presid\u00eancia Espanhola da Uni\u00e3o Europeia, dando continuidade a evento semelhante promovido em 2022 pela Presid\u00eancia Francesa.<\/p>\n<p>A ideia das universidades europeias foi lan\u00e7ada pelo presidente Emmanuel Macron, em 2017, num discurso feito na Sorbonne, no qual prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de universidades impulsionadoras da inova\u00e7\u00e3o educativa e da procura da excel\u00eancia.<\/p>\n<p>A Estrat\u00e9gia Europeia para as Universidades, adotada pela Comiss\u00e3o Europeia em 2022, estabeleceu que a Iniciativa das Universidades Europeias apoiaria alian\u00e7as transnacionais de Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior que visassem desenvolver uma coopera\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica e sustent\u00e1vel, a longo prazo, em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, criando campi interuniversit\u00e1rios europeus.<\/p>\n<p>O modo como a ideia inicial de Macron foi apropriada pelos decisores europeus e pelas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior exprime-se no facto de hoje estarem constitu\u00eddas 50 Alian\u00e7as Europeias de Universidades, de 35 pa\u00edses, agregando mais de 400 institui\u00e7\u00f5es. O objetivo mais imediato, enunciado pela Comiss\u00e3o Europeia, \u00e9 que se atinja proximamente o n\u00famero de 60 alian\u00e7as, envolvendo 500 universidades.<\/p>\n<p>Num quadro de coopera\u00e7\u00e3o interinstitucional j\u00e1 muito intenso, a cria\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as, envolvendo, em cada caso, nove universidades de diferentes pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, veio trazer um elemento adicional de organiza\u00e7\u00e3o e coes\u00e3o interinstitucional ao espa\u00e7o europeu, com importantes impactos na internacionaliza\u00e7\u00e3o das universidades.<\/p>\n<p>Por esta via, abrem-se novas possibilidades atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de graus europeus conjuntos, do desenvolvimento de projetos de investiga\u00e7\u00e3o partilhada e da constru\u00e7\u00e3o de respostas conjuntas aos grandes desafios societais. Nesta medida, as alian\u00e7as das universidades aspiram a uma efetiva transforma\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e do sistema de Ensino Superior, aumentando a qualidade das institui\u00e7\u00f5es, com base nos valores europeus, no quadro dos quais a liberdade e integridade acad\u00e9micas t\u00eam um papel fundamental.<\/p>\n<p>A abordagem que tem sido feita pelos diversos governos a esta iniciativa tem sido diversa; nos pa\u00edses vizinhos Espanha e Fran\u00e7a, est\u00e3o a ser feitas fortes apostas pol\u00edticas, que se traduzir\u00e3o num reposicionamento das universidades destes pa\u00edses no panorama europeu do Ensino Superior.<\/p>\n<p>O envolvimento das universidades portuguesas na iniciativa tem sido muito significativo. Em Portugal, h\u00e1 9 universidades p\u00fablicas que participam em Alian\u00e7as Europeias, organizadas em torno de t\u00f3picos como inova\u00e7\u00e3o e impacto social, desafios da sa\u00fade global, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tecnol\u00f3gico, desafios dos territ\u00f3rios e das sociedades, inova\u00e7\u00e3o educativa e novas modalidades de Educa\u00e7\u00e3o Superior.<\/p>\n<p>Para as universidades portuguesas, n\u00e3o est\u00e3o em causa apenas motiva\u00e7\u00f5es reputacionais ou a procura de novas fontes de financiamento; trata-se, antes, de participar num processo transformacional do sistema europeu de universidades; \u00e9 uma oportunidade para que as nossas institui\u00e7\u00f5es se envolvam num processo que, pela exig\u00eancia que coloca, as tornar\u00e1 melhores e mais internacionalizadas e que, de caminho, contribuir\u00e1 para o desenvolvimento do ensino superior do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Iniciativa das Universidades Europeias \u00e9 exigente em mat\u00e9ria de recursos humanos e financeiros. A Uni\u00e3o Europeia vem, para o efeito, mobilizando recursos com origem em v\u00e1rios dos seus programas. A ambi\u00e7\u00e3o da iniciativa requer, por\u00e9m, medidas que assegurem, no m\u00e9dio prazo, a sua sustentabilidade. H\u00e1 pa\u00edses que assumiram importantes compromissos com as suas institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o membros das alian\u00e7as, refor\u00e7ando, por vezes significativamente, o financiamento europeu.<\/p>\n<p>Portugal, at\u00e9 agora, n\u00e3o foi al\u00e9m de um programa de bolsas de doutoramento orientado para as universidades participantes na iniciativa. Este facto n\u00e3o permite que as nossas institui\u00e7\u00f5es aproveitem em toda a sua extens\u00e3o as potencialidades das Alian\u00e7as Europeias. Importa, por isso, encontrar mecanismos que exprimam um efetivo compromisso do pa\u00eds e das institui\u00e7\u00f5es com a iniciativa, promovendo-se o alinhamento entre financiamento regional, nacional e europeu.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia tem como objetivos a atribui\u00e7\u00e3o de \u201cgraus europeus\u201d e a atribui\u00e7\u00e3o de um estatuto legal pr\u00f3prio \u00e0s universidades europeias. A simplifica\u00e7\u00e3o, em curso, no nosso pa\u00eds, da acredita\u00e7\u00e3o de cursos criados no \u00e2mbito das alian\u00e7as \u00e9 um caminho a prosseguir; \u00e9 fundamental, tamb\u00e9m, a participa\u00e7\u00e3o de Portugal na constru\u00e7\u00e3o do quadro jur\u00eddico necess\u00e1rio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das universidades europeias.<\/p>\n<p>Numa circunst\u00e2ncia que \u00e9 muito estimulante para o Ensino Superior na Europa, h\u00e1 naturalmente obst\u00e1culos a ultrapassar. A exist\u00eancia de diferentes regimes jur\u00eddicos nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia \u00e9 um desafio com que as alian\u00e7as se confrontam; a converg\u00eancia entre culturas organizacionais institucionais distintas \u00e9, tamb\u00e9m, um \u00f3bice, embora, como a experi\u00eancia vem mostrando, a diversidade possa constituir-se como importante fator de uni\u00e3o; num outro plano, a interioriza\u00e7\u00e3o pelas nossas comunidades universit\u00e1rias dos objetivos e das possibilidades abertas pelas alian\u00e7as europeias \u00e9 um dos principais desafios a vencer.<\/p>\n<p>Existe, por\u00e9m, um desafio maior: apenas cerca de 10% das universidades europeias est\u00e3o envolvidas em alian\u00e7as de universidades. O risco de uma fratura entre grupos de universidades \u00e0 escala continental \u00e9, pois, real. Nesta circunst\u00e2ncia, \u00e9 essencial prever nos planos nacional e europeu mecanismos de articula\u00e7\u00e3o entre quem participa e quem n\u00e3o participa nas universidades europeias.<\/p>\n<p>Apesar deste risco, que deve ser ponderado, o que est\u00e1 em causa \u00e9 um verdadeiro processo transformacional do Ensino Superior europeu, sem paralelo em nada que tenha acontecido nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas, capaz de tornar as universidades ainda mais envolvidas no desenvolvimento social e econ\u00f3mico e mais aptas a responder aos grandes desafios das sociedades contempor\u00e2neas. As alian\u00e7as europeias s\u00e3o, por tudo isto, da maior import\u00e2ncia para o futuro das universidades portuguesas.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o |\u00a0<em>In<\/em>\u00a0Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/p>\n<p>Rui Vieira de Castro | Reitor da Universidade do Minho[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20px&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1698055186216{padding-bottom: 50px !important;}&#8221;]Decorreu recentemente, em Barcelona, o\u00a0II F\u00f3rum das Alian\u00e7as Europeias de Universidades, promovido pela Presid\u00eancia Espanhola da Uni\u00e3o Europeia, dando continuidade a evento semelhante promovido em 2022 pela Presid\u00eancia Francesa. 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