|
O Pólo Zero da Federação Académica do Porto (FAP) não vai ficar, afinal, completamente nas mãos da FAP. O espaço situado na renovada Praça de Lisboa será partilhado e gerido de forma integrada por esta entidade mas também pela Câmara do Porto, pela Universidade do Porto (UP) e pelo Instituto Politécnico do Porto (IPP). O Pólo Zero deverá ser inaugurado no final do Verão e estar a funcionar em pleno no próximo ano lectivo.
É uma promessa antiga de Rui Rio à FAP e, talvez por isso mesmo, a única valência da Praça de Lisboa que nunca foi posta em causa, ao longo dos anos de incerteza sobre a ocupação do espaço em reabilitação. Com as obras no local a avançarem a passo de gigante, o Pólo Zero, com 520 metros quadrados, começa a desenhar-se. O presidente da FAP, Luís Rebelo, diz ao PÚBLICO que o espaço "irá colmatar uma lacuna" do núcleo mais central da UP. "Finalmente vamos ter um espaço de estudo, com horário alargado, algo que já existe na Asprela mas que aqui no centro não tínhamos", diz.
A área que a UrbaClérigos, responsável pela reabilitação da praça, irá entregar à Câmara do Porto, e que será depois gerida de forma partilhada pelo município, FAP, UP e IPP, vai oferecer salas de estudo para os universitários. A intenção da FAP é mobilar esses espaços, mas deixar aos estudantes a obrigação de levar para o local o equipamento informático de que possam necessitar. Além das áreas de estudo, uma parte do espaço deverá ser concessionada a quem lá quiser montar uma cafetaria, e está prevista também a criação de um gabinete dedicado ao empreendedorismo.
Se, no caso da cafetaria, a intenção da FAP é oferecer "algum conforto" aos utilizadores do Pólo Zero e também conseguir "alguma sustentabilidade financeira", o gabinete de empreendedorismo e inovação pretende ser o local certo para fazer a ponte entre o ensino superior e o mercado de trabalho. "Este será o espaço mais indicado a quem quiser, por exemplo, lançar a sua própria empresa" explica Luís Rebelo, ressalvando que poderá existir ali também uma valência de apoio à procura de emprego. "Tudo isto ainda está a ser trabalhado com os nossos parceiros fundamentais, uma vez que não vamos deter o espaço a cem por cento e existe uma lógica de partilha na gestão do pólo", explica.
O presidente da FAP não se compromete com a possibilidade, já avançada, de o Pólo Zero estar aberto ao público durante as 24 horas do dia, garantindo apenas que terá "o horário mais alargado possível".
A reabilitação da Praça de Lisboa representa um investimento na ordem dos seis milhões de euros e, depois de muitos adiamentos, a inauguração está agora agendada para Junho. O espaço fechado, rasgado a meio por uma passagem a céu aberto, vai dispor de dez espaços comerciais, sendo o maior deles todos, com 1900 metros quadrados, um restaurante com a assinatura Shis.
No topo da praça, idealizada pelo gabinete do arquitecto Pedro Balonas, irá nascer um espaço relvado, pontuado por oliveiras e com três pequenos quiosques, complementados por esplanadas.
A Câmara do Porto cedeu o direito de superfície da praça à UrbaClérigos por 50 anos – a única empresa a apresentar-se ao concurso público lançado pelo município em 2006, com o objectivo de reabilitar e explorar o espaço. |