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Arqueólogos portugueses ajudam a desvendar antigo Reino do Congo
Diário as Beiras   
06 Agosto 2012
NoticiaUm grupo de arqueólogos da Universidade de Coimbra (UC) deverá partir em breve para Angola para resgatar testemunhos do antigo Reino do Congo no âmbito da candidatura de Mbanza Congo a património da humanidade pela Unesco.

A deslocação da equipa para realizar uma campanha de escavações esteve agendada para julho, mas foi adiada, aguardando agora uma nova data para a partida, revelou à Lusa a sua responsável, Conceição Lopes, que presta assessoria ao Governo de Angola no domínio da arqueologia.

A cidade foi a capital do antigo Reino do Congo, no noroeste do Angola, abrangendo ainda territórios da RD Congo e de Cabinda, tendo sido um dos principais estados africanos pré-coloniais. A arqueóloga, professora na UC, fez parte de uma equipa internacional de peritos da UNESCO que em 2010 avaliou o potencial da candidatura. Das recomendações então produzidas realizou-se uma nova missão, em 2011, da qual também fizeram parte arqueólogos dos Camarões.

A deslocação desta equipa de arqueólogos enquadra-se já no âmbito de um protocolo celebrado entre o Instituto Nacional do Património Cultural de Angola e a Universidade de Coimbra, através do Instituto de Investigação Interdisciplinar (iii).

Conceição Lopes, que também dirige uma equipa de arqueólogos portugueses na Síria, classifica à Lusa de "muito importante" esta candidatura de Angola à UNESCO.

"É muito importante até para que se possa promover a património da humanidade um outro tipo de património. Em África não há muito sítios que tenham a monumentalidade ou as condições para responder aos critérios da UNECO. Patrimónios não são só as grandes catedrais ou as grandes paisagens cultuais", observou. Para a arqueóloga, a importância da candidatura advém também do facto de com ela se poder fazer "uma releitura da história" através da investigação a produzir.

"Mais importante que o Reino do Congo após a chegada dos portugueses, é o Reino do Congo antes dos portugueses", sublinha, frisando que a expetativa é conseguir resgatar um pouco do que era o quotidiano antes da chegada de Diogo Cão, nos finais do século XV.

 
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