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Encontro das universidades de língua portuguesa
Diário Económico - Emprego & Universidades   
02 Julho 2012
Ela 'cidade das acácias' (Maputo) recentemente recebeu com solenidade o XXII Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Este ano procurou-se que os mais de 400 participantes reflectissem sob o lema "ensino superior e investigação científica no espaço da CPLP".

Acontece, porém, que os países da CPLP encontram-se em diferentes estados de desenvolvimento e a forma como abordam os assuntos, e as preocupações que revelam, demonstram as assimetrias existentes.

Tal facto, por si só, já mereceria debate, não fosse um conjunto de outros factores que evidenciaram outras carências que dificultam a potencialização desta comunidade com cerca de 250 milhões de cidadãos.

Desde logo, pese embora o potencial económico de Angola e Brasil, a falta de financiamento para políticas conjuntas de ensino superior inviabiliza garantir a mobilidade estudantil e de docentes no espaço da CPLP. Facto que só poderá ser ultrapassado caso exista percepção política e visão estratégica, em Cimeira da CPLP,de modo a permitir a criação de um 'Erasmus Lusófono'. Diferente é a questão da adopção do sistema de transferência de créditos pois, apesar de também associarem dificuldades de implementação deste mecanismo de mobilidade e internacionalização à escassez de financiamento, a verdade é que o principal problema reside na debilidade de controlo qualitativo dos sistemas educativos nos diversos países, prejudicando a confiança na aceitação de créditos sem quaisquer reservas.

Por outro lado, não estando emcausa a importância dos Encontros da AULP, certo é que sendo este já o 22º a fase de approaching já deveria ter sido ultrapassada, por forma a que agora fosse tempo de concretização de objectivos e de aprofundamento institucional, situação que, segundo parece, está ainda longe de acontecer.Por fim, se se pretende que a par das relações inter-institucionais se crie uma comunidade científica pensante, que analise os problemas do ensino superior e procure soluções e novas perspectivas sem modelos impostos, então os critérios que presidem à selecção dos oradores devem ser reequacionados de modo a impedir que boa parte das "comunicações" se baseiem no mero copy-paste (e nem sempre fiável ou bem contextualizado) sem acrescentar reflexão digna de nota académica positiva.

Se é verdade, como referiu o presidente da AULP no discurso de abertura, que só "com uma sociedade educada encurtaremos as distâncias e aproximaremos as culturas", também se poderá acrescentar que só com dirigentes que saibam educar para a liberdade, solidariedade e responsabilidade poderemos construir uma comunidade em que esses valores consolidem democracias e favoreçam a ética, o bem-estar social, cultural e económico destas nações irmãs.

MIGUEL COPETTO
Investigador

 
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