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Jorge Figueiredo foi surpreendido há cinco dias. Descobriu que foi o primeiro aluno da Universidade do Porto (UP) a entrar no programa Erasmus, ainda nem havia informação centralizada e a brincadeira era combinada entre professores. Aterrou em Paris para o mestrado em Astrofísica, enviado pela professora Teresa Lago, e acabou a estagiar em Bruxelas. Gostou tanto que voltou à Bélgica depois do Verão. Meses depois, conheceria Begoña, a basca que lhe virou a cabeça. "Seremos também, quem sabe, um dos primeiros casais Erasmus...", contava ontem Jorge Figueiredo, sorridente e troféu na mão, na cerimónia dos "25 anos de Erasmus na UP". Hoje, dá aulas no Departamento de Matemática e Aplicações da Universidade do Minho.
Foi o primeiro de 8710 jovens da UP que, até hoje, ousaram uma experiência lá fora. A instituição é a maior produtora de candidatos à experiência: fornece 12% do total do país, contabiliza Isabel Duarte, da Agência Nacional Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida. Em 2009/10, contavam-se 5388 portugueses em Erasmus (ano em que só a UP enviou 747) e 7385 estrangeiros cá.
E o que é o Erasmus? Um intercâmbio de estudantes entre universidades europeias. Tem sido um sucesso na eliminação de barreiras geográficas ao emprego, na melhoria da qualidade do ensino e investigação e no enriquecimento de competências profissionais e pessoais. Mas enfrenta agora desafios.
Luís Rebelo, da Federação Académica do Porto, sublinhá-lo-ia depois, lembrando que a mobilidade dá mundo aos jovens. Ora, só 1,4% dos estudantes foram para Erasmus em 2010, recordaria Isabel Duarte, apelando à argúcia das universidades na procura de novas formas de apoio. Paulo Tavares de Castro, docente, pediria mesmo a criação de incentivos.
À porta da Reitoria, uma centena de estudantes estendia faixas contra o Governo. Seria bom, diz Marques dos Santos, que se deixasse de falar em números negros, até para dar ânimo. Na manif, Ricardo Sá Ferreira responde perguntando pelas bolsas por receber desde julho, pelas 30 mil eliminadas e pelos dez mil alunos que abandonaram o Superior. E o Erasmus? "É bom, deste que não tape o sol com a peneira". |