Portugal tinha em 2010 quase 90% dos seus alunos de ensino superior em cursos a funcionar segundo o modelo de Bolonha, integrando o pelotão de 13 países europeus em que 70% a 89% dos estudantes frequentavam licenciaturas ou mestrados que seguem o novo modelo de organização do superior. De acordo com o relatório de implementação do Processo de Bolonha relativo a esse ano, que a Agência Europeia da Educação (Eurydice) acaba de divulgar, o número de países com esta percentagem subiu de 10%, em 2009, para 13%, no ano seguinte. O relatório revela que cerca de metade dos 47 países que compõem a Área Europeia do Ensino Superior (EHEA, na sigla em inglês) tinha nessa altura mais de 90% dos estudantes abrangidos por um ou dois dos ciclos de estudos de Bolonha: três anos para as licenciaturas e dois para os mestrados. Em Abril de 2009, o então secretário de Estado socialista da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, garantia que o país já tinha 98% dos cursos superiores adaptados à Declaração de Bolonha e que estava “no grupo dos cinco países que estão mais avançados” na sua concretização, ao lado da Dinamarca, Suécia, Irlanda e Escócia. Menos 5,6% de alunos O relatório da Eurydice revela ainda que Portugal foi o segundo país, entre os 47 que integram a EHEA, que mais estudantes perdeu entre os anos lectivos de 2003/04 e 2008/09. O documento indica que Portugal tinha um total de 373.002 alunos a frequentar o ensino superior em 2003, um número que baixou 5,6% cinco anos depois. Uma quebra que só foi ultrapassada pela Hungria (-5,8%), que no ano de partida deste balanço tinha 397.679 estudantes no ensino superior. As alterações demográficas são a principal razão apontada no relatório para este decréscimo. Aliás, o declínio demográfico já tinha sido a justificação avançada em Portugal para a quebra do número de alunos, que se começou a sentir primeiro no ensino superior privado em 1996/97 e acabou por chegar ao público a partir de 2002/03. A Espanha foi o terceiro país que mais estudantes perdeu (-2,1%) no período em análise, seguido pela Letónia (-1,8%), Suécia (-1,6%) e a Finlândia (-1,1%). O país com a maior subida foi a Albânia, que tinha 242.590 estudantes em 2003/2004 e registou um aumento de 128,8% cinco anos depois. A Eurydice destaca ainda os acréscimos verificados na Roménia (+60,2%), Chipre 48,6%), Turquia (48,2%), Eslováquia (42,7) e Liechtenstein (41,7%). Ainda assim, este último país continua a ser o que menos estudantes tem em termos absolutos em toda EHEA: 754. O país com o maior número de alunos é a Rússia, que, com 9,9 milhões de estudantes, tem mais de 25% do total da Área Europeia do Ensino Superior. França, Polónia, Itália e Espanha têm mais de 1,5 milhões. Por outro lado, há 14 países com menos de 200 mil estudantes. |