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É fundamental desenvolver relações próximas entre as universidades e as empresas
Vida Económica - Ensino Superior   
15 June 2012
O diretor da Faculdade de Economia do Porto (FEP), João Proença, acredita que "é fundamental desenvolver relações próximas" entre as universidades e as empresas, mas também "com muitas outras instituições que são centrais na nossa vida social", como, por exemplo, organizações sociais, políticas e económicas".

Admitindo que essa ligação "já está a ser desenvolvida em muitas instituições", seja pela participação de pessoas ligadas às empresas nos corpos sociais das várias universidades, seja pelo envolvimento da comunidade civil e empresarial nas várias dimensões da vida académica, João Proença admite, contudo, que "é possível potenciar ainda mais essa ligação", nomeadamente através do desenvolvimento de estruturas que permitam "a interação com os 'alumni', com os empresários e gestores, com os políticos que conectem e aproximem estes atores".

Por isso, afirma o docente, "é importante que as Escolas criem condições para que os elementos externos, em particular os 'alumni', sejam parte integrante da Escola", colaborando em múltiplas frentes como, por exemplo, "na obtenção de estágios para os estudantes, em programas de 'mentoring', na procura e consumo de serviços prestados pelas instituições de ensino superior, na procura e dinamização de estudos aplicados, no apoio às ações empreendedoras dos estudantes e, em particular, às incubadoras de empresas de base tecnológica, na valorização e no incentivo ao envolvimento dos estudantes em atividades extra curriculares e com conexão ao exterior da Escola, ou no desenvolvimento de uma política de aproximação e diálogo com as autoridades regionais e/ou nacionais". Paralelamente, todas estas ações "facilitam e aproximam as universidades ao seu exterior e permitem encontrar novas fontes de financiamento para executarmos a nossa missão", assegura João Proença.

Seria um "crime encerrar as estruturas localizadas no interior" do país

Igualmente "fundamental" é para o diretor da FEP a presença de instituições de ensino superior no interior do país, na medida em que esta localização "dá competências para o desenvolvimento local, pode estimular o empreendedorismo e cria atividade económica e emprego direto e indireto nessas regiões".

Em declarações à 'Vida Económica', o docente considera por isso que seria um "crime encerrar as estruturas localizadas no interior", pois esse cenário "agravaria ainda mais as assimetrias do país, em particular as do litoral face ao interior". Ainda assim, João Proença não descarta a possibilidade de ocorrer uma "reorganização e alguma consolidação" do sistema e admite que "isso não significa que não se encontrem formas novas e mais eficientes do sistema cumprir essa missão".

Nesse sentido, uma reorganização "deve permitir assegurar que as estruturas do interior do país tenham mais qualidade e permitam, com maior eficiência e racionalização, cumprir a missão do ensino superior português em todo o espaço nacional". Por isso, o diretor da FEP defende que algumas instituições de ensino superior "devem ter incluído na sua missão o desenvolvimento das regiões onde estão localizadas". "É esse o caso da Universidade do Porto, que, a prazo, pode incorporar na sua missão a contribuição para o desenvolvimento de todo o Norte do país, o que poderia incluir também as áreas do interior", remata João Proença..

 
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