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França é um dos maiores investidores externos em Portugal e o 3.º país do mundo a comprar 'made in Portugal'. Pascal Teixeira da Silva, embaixador de França em Portugal, em entrevista ao Capital Humano do ETV, revela que as Universidades francesas têm quase três mil estudantes portugueses. Recentemente, apresentou o sistema de ensino francês no seminário "Profissionalizar o Comércio Internacional", organizado pelo Instituto da Democracia Portuguesa.
Com têm evoluído as relações económicas entre Portugal e França? Tem vindo a crescer, nos últimos anos. França e Portugal são parceiros económicos. No que diz respeito ao comércio, a França é o 3.º cliente e o 3.º fornecedor de Portugal. As exportações portuguesas têm vindo a crescer muito para França. No ano passado, o saldo comercial era positivo em cerca de 800 milhões de euros, para Portugal. Quando há dois, três anos, era positivo para França. Um fenómeno que, por um lado, é o resultado do grande dinamismo das exportações portuguesas, E que, por outro, resulta da contracção da procura interna e importações para Portugal. As exportações francesas para Portugal diminuíram. Também no que diz respeito aos investimentos, o saldo era positivo para Portugal, que recebeu mais de 740 milhões de euros de investimentos franceses. França já é o segundo principal investidor estrangeiro em Portugal. Há mais de 400 filiais de empresas francesas em Portugal, em quase todos os sectores.
Mas França recebe muitos alunos portugueses? No sistema de ensino superior francês, a percentagem de estudantes estrangeiros é de cerca de 15%, mais de 200 mil. Segundo os dados mais recentes, existiam mais de 3.700 estudantes portugueses no sistema francês e mais de 20% estudavam no sector da Economia e Gestão.
Como explicaria esta forte atracção dos estudantes pelos cursos de Economia e Gestão em França? A formação na área de Economia e Gestão tem várias vertentes em França. A primeira vertente são os Brevet de Tecnicien Supérieur (BTS), que é o equivalente ao Cursos de Especialização Tecnológica — uma informação considerada superior, são dois anos depois do 'Bacalaureat'. Há um BTS especializado em comércio internacional. A grande vantagem é que é uma formação de profissionais intermédios. A segunda característica é o facto desta formação ser muito ligada ao mundo das empresas: todos os estudantes fazem estágios obrigatórios, de dois, três meses nas empresas e um mês no estrangeiro, no caso da formação especializada em comércio internacional. Esta formação prepara profissionais, que não são os quadros superiores, mas que são muito importantes para fazer a gestão das exportações ou o acesso aos mercados das empresas.
São escolas com elevada empregabilidade... O inquérito feito em 2010 aos alunos que saíram do sistema de ensino superior, em 2007, revela que os alunos dos BTS têm uma taxa de empregabilidade de 83%, nas licenciaturas de Gestão e Comércio internacional era de 86% e nas escolas de comércio subia para os 89%.
Há oportunidades de trabalho em França? Temos que olhar para este problema de um modo diferente, porque hoje estamos num mundo globalizado. Na União Europeia temos um mercado único em que a mobilidade da mão-de-obra faz parte das regras do jogo. Hoje temos mais de 300 mil franceses a trabalhar na Inglaterra, muitos na banca em Londres. Do ponto de vista português, pode haver oportunidades profissionais em França ou noutros países. No sector da saúde, por exemplo, há um défice em França. Mas temos que olhar para este fenómeno com referências diferentes. Porque esta não é uma imigração como no passado, hoje podemos ter uma mobilidade profissional temporária, em que os profissionais regressam ao seu país de origem depois de ter adquirido uma experiência internacional. A nova geração aborda este problema de uma forma diferente, com um horizonte geográfico e mental muito mais vasto que no passado. |