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A associação das universidades Técnica de Lisboa com a de Lisboa (dita, Clássica) é um acontecimento raro, marcante e que, como tal, tem lançado ondas de choque na academia portuguesa.
Trata-se de um movimento muito inteligente dos reitores Serra e Nóvoa. Logo à cabeça, aproveitam o espírito dos tempos que favorecem reorganizações e poupança de custos administrativos e, com isto, captam boas-vontades dos poderes estabelecidos.
Depois, se conseguirem a posse plena do património imobiliário, poderão realizar alguns negócios, financeiramente, muito interessantes. Finalmente, conseguem corrigir insuficiências congénitas das suas duas universidades.
De facto, ao contrário de outras, como a Nova, a do Porto ou a de Coimbra, nem a Técnica nem a Clássica eram universidades plenas. A uma faltavam as Humanidades, o Direito e a Medicina; a outra faltavam a Engenharia, a Economia, a gestão e a Arquitectura. Com a reorganização sim, ficarão no mesmo pé que as outras grandes universidades portuguesas e passarão a cobrir a globalidade dos saberes.
Todos estes são argumentos fortes em favor da reorganização das duas universidades lisboetas. O mesmo não se pode dizer de outros, frequentemente, aduzidos. Logo à cabeça, a ilusão de que dimensão significa qualidade. Em conjunto, as duas universidades terão 46 mil alunos, sem dúvida um número impressionante, que a colocará entre as 12 maiores da Europa. Mas as grandes universidades do Mundo não são necessariamente grandes: Oxford e Cambridge têm 23 mil alunos cada, Harvard tem 27 mil, Stanford 20 mil, Yale 12 mil e Princeton apenas 8 mil.
É também comum ouvir-se que esta reorganização representa uma 'fusão'. Na realidade trata-se mais de uma 'junção' pois, por exemplo, continuarão a coexistir os diferentes cursos e departamentos de Matemática, Física ou Arquitectura. No fundo, apenas as reitorias e respectivos serviços se fundirão.
O Ministério da Educação é notoriamente parco em ideias sabre o Ensino Superior Espero, vivamente, que não tome esta reorganização como a reforma que as universidades precisam. Não o é mesmo!
José Ferreira Machado |